Absinto: agora fabricado no Brasil

A Uni­land Ex­port te­ve auto­rização do Mi­nistério da Ag­ri­cul­tu­ra e Abas­te­cimen­to pa­ra fab­ri­car a be­bida com te­or al­coóli­co de 54%

O ab­sinto po­lemi­ca be­bida que che­gou a ser pro­ibi­da no Bra­sil du­ran­te déca­das por ca­usa do al­to te­or al­coóli­co e de sus­pe­itas de que se­ria um alu­cinóge­no, vai ser fab­ri­cado no país. A pri­me­ira emp­re­sa que con­se­gu­iu a auto­rização do Mi­nistério da Ag­ri­cul­tu­ra e Abas­te­cimen­to pa­ra co­locar a be­bida no mer­ca­do é a Uni­land Ex­port. O no­me do pro­duto será Ab­sinto Ca­mar­go.

A emp­re­sa vin­ha ten­tando con­se­gu­ir o aval do Mi­nistério há pe­lo me­nos se­is me­ses, mas o ace­no fa­vorável à fab­ri­cação foi da­do na qu­in­ta-fe­ira. Se­gun­do Ma­rio Re­uter Ca­mar­go, di­retor da Uni­land, a par­tir da se­gun­da se­mana de ja­ne­iro os con­su­mido­res po­derão ter a be­bida nas pra­tele­iras dos cent­ros de comp­ras e nos prin­ci­pa­is ba­res de to­do o País.

Pa­ra ini­ci­ar a pro­dução, o exe­cuti­vo in­vestiu cer­ca de R$70 mil. E a ex­pecta­tiva é de que o re­tor­no ven­ha ra­pida­men­te. “As pes­so­as já estão li­gan­do e pe­din­do a be­bida pa­ra o réve­il­lon”.
Se­gun­do ele, serão fab­ri­cadas ini­ci­al­mente 10 mil gar­ra­fas e a dist­ri­buição em São Pa­ulo será fe­ita pe­la própria Uni­land. Nos out­ros es­ta­dos à emp­re­sa es­ta fa­zen­do acor­dos com out­ras dist­ri­bu­ido­ras pa­ra que o Ab­sinto Ca­mar­go não fal­te.

Cu­ida­do
A Uni­land fez par­ce­ria com a des­ti­laria San­ta Cecília, em São Ro­que, no in­te­ri­or pa­ulis­ta, pa­ra a pro­dução da be­bida. E a emp­re­sa está se em­penhan­do pa­ra ga­ran­tir que o ab­sinto não ex­ce­da o li­mite de te­or al­coóli­co per­mi­tido por lei, de 54 gra­us. Pa­ra is­so, a emp­re­sa se as­so­ci­ou a Uni­ver­si­dade de Ca­xi­as do Sul pa­ra de­sen­volver um méto­do pa­ra a análi­se do pro­duto.

A gar­ra­fa de 700 mi­lilit­ros vai cus­tar cer­ca de R$50 e a mi­ni­atu­ra de 50 mi­lilit­ros sa­irá por R$8. Mas Re­uter afir­ma que está es­tu­dan­do a pro­dução de uma gar­ra­fa in­terme­diária, ain­da sem preço de­fini­do. “Pre­ten­de­mos fa­zer uma em­ba­lagem de 200 mi­lilit­ros”.

At­ra­so
Se­gun­do Re­uter, a ap­ro­vação do Mi­nistério da Ag­ri­cul­tu­ra e Abas­te­cimen­to não foi tão rápi­da. Além de pas­sar por uma análi­se, o pro­ces­so de ap­ro­vação fi­cou pa­rali­sado por cer­ca de do­is me­ses. “Is­so at­ra­sou mu­ito o nos­so negócio”.

O at­ra­so foi ca­usa­do pe­la pro­ibição da im­portação do ab­sinto no início de no­vemb­ro. Na épo­ca, a be­bida foi pro­ibi­da por­que um tes­te ha­via most­ra­do que o te­or al­coóli­co es­ta­va mar­cando 57. E o prin­ci­pal im­porta­dor da be­bida ale­gou que ha­vi­am fe­ito tes­te com as pri­me­iras gar­ra­fas tra­zidas da Euro­pa e que, por is­so mes­mo, as gar­ra­fas es­ta­vam sen­do ven­di­das no mer­ca­do bra­sile­iro aten­di­am a to­das as es­pe­cifi­cações do go­ver­no.

Polêmi­ca

A dis­cussão sob­re o ab­sinto não foi ca­usa­da so­men­te pe­lo al­to te­or al­coóli­co, mas também por sus­pe­itas de que ca­usa­ria alu­cinações. A be­bida é de­riva­da de uma plan­ta cha­mada art­he­misia ab­sint­hi­um e es­ta plan­ta con­te thu­jone, subs­tan­cia que qu­an­do usa­da em gran­de qu­an­ti­dade ca­usa alu­cinações.

Se­gun­do Re­uter, o Ab­sinto Ca­mar­go tem ape­nas 10 ppm (par­tes por milhão) ou mi­lig­ra­mas por qui­log­ra­ma de thu­jone- nível per­mi­tido pe­lo Mi­nistério da Saúde.
No sécu­lo XlX, épo­ca de ouro da be­bida, ar­tistas com Vi­cen­te Van Gogh e Cla­ude Mo­net to­mavam o ab­sinto. A ma­ioria de­les ac­re­dita­va que a be­bida era af­ro­disíaca e es­ti­mula­va a cri­ati­vida­de. Também não é pa­ra me­nos: na­qu­ela épo­ca o nível de thu­jone era de 350 mi­lig­ra­mas por qui­lo.

Fon­te: Jor­nal da Tar­de