Absinto anima vida noturna na Vila Madalena
Drinques já estão no cardápio da maioria dos bares do bairro e divide clientes
Os boêmios estão experimentando o gosto da vida que foi sentido por renomados pintores e consagrados poetas no final do século 19. Não é literalmente o mesmo sabor, pois a nova mania foi adaptada ao paladar e a legislação brasileira.
A bebida que embalou sarau de intelectuais, anima hoje freqüentadores dos bares da região. Um dos drinques mais pedido traz na formula o polêmico absinto, produzido por uma empresa fabricante de bebidas, com escritório no bairro.
As opiniões de quem já experimentou a bebida variam. “Me arrepiei inteira. É muito forte e não gosto de bebida assim” sentenciou Yolanda Martinez Alonso, de 24 anos. Apreciador de absinto de longa data o alemão Mathias Noske não gosta quando a bebida é servida com muito gelo. “Depois que derrete a bebida fica muito aguada”, observa. Noske desenvolveu uma técnica pessoal para evitar dissabores e sugere “ Com um pouco de limão fica perfeito”.
No Brasil - A bebida de origem Suiça, com um tom esverdeado – em que paira a lenda de causar alucinações – pode ser comercializada no Brasil, desde que siga as orientações do Ministério da Agricultura, que autoriza o teor de até 54% de álcool.
Em uísque, vodka e tequila por exemplo, a presença do álcool varia entre 38% e 54%. O absinto foi banido na França em 1915. Nessa época, outros países seguiram esta determinação, incluindo-se o Brasil. Depois de uma polêmica surgida no final do ano passado, quando o absinto voltou a freqüentar mesas de casas noturnas, a bebida foi novamente proibida.
A primeira empresa brasileira credenciada para produzir a bebida foi a Uniland Export, que, desde janeiro, distribui no mercado o primeiro absinto brasileiro, o Absinto Camargo.
Para produzir a bebida no país, a empresa importa a planta Artemisia Absinthium, comum na região dos Alpes entre a França, Itália e Suiça. Os primeiros testes com a bebida foram feitos em março do ano passado e a produção para a venda começou em setembro. Segundo Mario Reuter, fabricante do absinto nacional e exportador de bebidas, a idéia de criar o absinto brasileiro surgiu com visitas a feiras especializadas no exterior. “Notei que o absinto estava voltando à moda na Inglaterra e pensei em importá-lo”, diz.
Segundo Reuter além do absinto Camargo ter um índice alcoólico mais baixo que os absintos europeus, a bebida também apresenta uma solução menor de anis. “O anis quebra o amargo do absinto, mas em excesso, se sobrepõe ao sabor da planta”, explica.
Adriana Moreira
Fonte: Estadão