Fada verde-amarela
Indústria de São Roque coloca o Brasil no clube de produtores de absinto
Conhecido como fada verde, o absinto voltou a encantar os brasileiros apreciadores de drinques fortes assim que recomeçaram suas vendas no país, em meados do ano passado, depois de 65 anos de proibição.
A presença entre os lotes importados com exemplares de até 80% de teor alcoólico, contudo, por pouco não azedou a liberação, suspensa em Novembro pelo Ministério da Agricultura, que voltou atrás no mês seguinte. Agora, além das marcas importadas, o aficionado pode degustar a versão nacional da bebida, feita a 46 kilometros da capital, em São Roque, que ganhou fama por seus vinhos.
A implantação da indústria coloca o Brasil num seleto grupo de nações que produzem o absinto, formado por Bulgária, República Tcheca, Espanha, Portugal e Japão.
Mesmo com certidão de nascimento verde-amarela, o absinto Camargo, que tem 54% de teor alcoólico, traz na formula os mesmos componentes que fizeram sua fama na Europa, cativando consumidores célebres, como o poeta Frances Paul Verlaine, os pintores Van Gogh, Degat e Monet e o escritor britânico Oscar Wilde. “Descobrimos nossa receita em um livro Frances do século 19”, conta Mario Reuter, diretor da Uniland Export, empresa que acaba de montar a fabrica paulista, com capacidade de produção artesanal de 4.800 garrafas por mês.
O estardalhaço feito entorno do néctar etílico, segundo Reuter, foi motivado não apenas pelos elevados teores de álcool. “O maior problema era em relação ao Thujone, substância que em grandes quantidades, é alucinógena”, conta o empresário, estimando que cada litro da bebida deve ter no máximo 10 mililitros da substância. “Um teste que sugerimos ao Instituto brasileiro de vinho, ligado ao Ministério da Agricultura, vem sendo utilizado inclusive para ver se os similares importados se enquadram nesse padrão”.
Donizete Costa
Fonte: Revista Já - Diário Popular